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Ubi Episcopus Ibi Ecclesia


Pregação de Padre Marcos Martini, quando da sagração de Dom Rodnei da Silva

Excelentíssimos e reverendíssimos

Dom Joanir da Silve Neves, Bispo Diocesano de Cabo Frio - RJ

Dom Josivaldo Pereira de Oliveira, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro e Conselheiro Presidente do Conselho Episcopal

Dom Olinto Ferreira Filho, Bispo Primaz da Igreja

Dom Wagner Peres Rodriges, Bispo Diocesano de São Paulo e Conselheiro Regional Sudeste

Dom Manoel José da Rocha Neto, Bispo Diocesano de Foz do Iguaçu – Pr e Chanceler da Igreja

Monsenhor Alberto, da Arquidiocese de Exaltación de La Santa Cruz, de Buenos Aires

Dom Rodney da Silva, nosso Bispo recém sagrado.

Padre Bruno Marques, presidente do CP, na pessoa do qual eu saúdo a todos os padres e diáconos aqui presentes, meus irmãos no sacerdócio;

Excelentíssimas autoridades civis e eclesiásticas;

Abençoado Povo de Deus aqui presente.


Boa noite


“Ubi Episcopus Ibi Ecclesia” é um termo em latim que melhor ilustra a importância deste momento sagrado que presenciamos. “Ubi Episcopus Ibi Ecclesia” pode ser traduzido como “Onde há Bispo, há Igreja”, ou ainda “Onde está o Bispo, ali está a Igreja”.


É importantíssimo aqui interpretarmos corretamente o que significa o termo “Igreja”, na frase acima. Não significa a igreja física, seu templo, e nem a Igreja instituição, mas sim o seu povo, a “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, cujo propósito é proclamar as grandezas daquele que vos convocou das trevas para sua maravilhosa luz.”, como nos diz o apóstolo Pedro em sua primeira Epístola, no capítulo 2, versículo 9. Deste povo é o bispo o condutor, o pastor, e cuja conduta deve ser exemplo de salvação e santidade.


Não há Igreja sem bispos, pois através destes, e de seus sacerdotes ordenados, a presença de Cristo como chefe da Igreja se torna visível no meio da comunidade dos fiéis. Segundo a bela expressão de Santo Inácio de Antioquia, o Bispo é como a imagem viva de Deus Pai.


Foi por este motivo que os apóstolos deixaram como seus sucessores os bispos, a eles transmitindo seu próprio encargo de Magistério. Afim de manter viva a fé do Povo de Deus, e pregar as boas novas do Evangelho de Cristo, que devia conservar-se por uma sucessão contínua até a consumação dos tempos. Assim os bispos, por instituição divina, sucederam aos apóstolos como pastores da Igreja, de sorte quem os ouve, ouve a Cristo, e quem os despreza, despreza a Aquele que o enviou.


Por outro lado, São Paulo nos ensina acerca de quais devem ser as características de um bispo, na sua 1ª Carta a Timóteo, no capítulo 3, o seguinte:

1. Esta palavra é digna de crédito: Se alguém almeja o episcopado, deseja algo excelente.

2. É necessário que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, equilibrado, tenha domínio próprio, seja respeitável, hospitaleiro, apto para ensinar;

3. não dado ao vinho nem à violência, mas amável, inimigo de discórdias, não ganancioso.

4. Deve governar bem a própria casa, mantendo os filhos em sujeição, com todo o respeito

5. pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?;

6. não deve ser novo na fé, para que não se torne orgulhoso e venha a cair na condenação do Diabo.

7. Também é necessário que tenha bom testemunho dos de fora, para que não seja envergonhado nem caia na armadilha do Diabo.


No século V, Santo Agostinho de Hipona, ao comentar sobre o sentido deste texto diz que: “episcopado”, é o nome de uma tarefa e não uma honra, Com efeito, episcopado vem do grego “epi” (super) e “skopos” (ver) e é, literalmente, supervisor ou superintendente ou ainda inspetor. Assim, se desejamos, podemos traduzir epi-skopein como superintender. Santo Agostinho continua “Por isso, o bispo, que coloca o seu coração na posição de eminência ao invés de oportunidade para o serviço deve compreender que ele não é bispo”( Cidade de Deus, 19: 19)


O Bispo é, para Inácio Santo Inácio de Antioquia (século I), o centro da unidade da Igreja em qualquer lugar ou comunidade e, como tal, Inácio espera que o bispo seja obedecido. Devemos estar “sujeitos ao bispo como a Jesus Cristo” afirma ele, e “devemos enxergar no bispo o próprio Senhor”(Tralarianos 2, Efésios 6). Por isso, sem o bispo não pode haver Eucaristia e a Igreja.


Hoje temos a alegria de participar da Sagração Episcopal de nosso irmão Dom Rodney, a quem, salvo o engano humano a que estou sujeito, creio firmemente que se aplicam todas as características necessárias a um bom bispo, como nos ensina São Paulo na sua carta a Timóteo.


Tomamos aqui a liberdade de aconselhar nossos irmãos de sacerdócio, os padres desta linda Diocese de Volta Redonda, e também a todos os padres presentes, eu inclusive. Santo Inácio de Antioquia compara a relação dos presbíteros com o bispo como “cordas com o instrumento musical”. Ora, assim todos devem estar afinados, e todos juntos colaborarem para a salvação das almas, para o bem da Igreja Brasileira e para a maior glória do Santo Nome de Deus.


Rogo humildemente ao Bom Deus, a Seu Filho Jesus Cristo Nosso Salvador, e ao Espírito Santo, que nos santifica, que ilumine ao novo Bispo, ao seu clero, ao povo diocesano, e a todos nós, para que nos desapeguemos daquilo que nos afasta da santidade, e busquemos ser como o incenso que hoje queimamos, de odor agradável a Deus. Recito aqui parte da Oração a São José, Protetor da Igreja:

Protegei, ó guarda providente da Divina Família, a raça eleita de Jesus Cristo; afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício; assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas, e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus das ciladas dos seus inimigos e contra toda a adversidade.


Terminamos lembrando como começamos: “Ubi Episcopus Ibi Ecclesia”


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.


 
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